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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Notícias do Projecto Comunidades Baixo Carbono

Primeiro de Janeiro
21 Dezembro 2007

PROJECTO COMUNIDADES BAIXO CARBONO CANDIDATO A PROGRAMA EUROPEU

Mindelo vai dar o exemplo

Mindelo foi escolhida para intervir e servir de modelo a nível nacional no projecto Comunidades Baixo Carbono, candidato ao programa europeu Energia Inteligente para a Europa. Helena Ferreira coordenadora do projecto explica de que forma em entrevista ao JANEIRO.

Luísa Mateus
A Associação Amigos do Mindelo, em parceria com a InnovModel, participou num consórcio europeu, em Setembro passado, que apresentou uma proposta ao programa Energia Inteligente para a Europa.
Helena Ferreira explicou ao JANEIRO que as comunidades escolhidas para intervir, em Portugal, e para servirem de modelo para o território nacional neste projecto foram precisamente a freguesia de Mindelo, no concelho de Vila do Conde, e Morais, no concelho de Macedo de Cavaleiros.
Nesse contexto, a coordenadora do projecto disse que “pretende-se, a curto prazo, formar parcerias nacionais que permitam uma rápida difusão e disseminação das Comunidades Baixo Carbono”.
Entre os parceiros são privilegiadas as autarquias, empresas da área, agências de energia, bem como o meio académico, onde já existem interessados, assegurou.
Uma das propostas apresentada à Energia Inteligente é coordenada pelo CEN – Creative Environmental Networks (Londres), denominada SCALL – Sustainable Communities at Local Level e tem por objectivo criar Comunidades Energeticamente Sustentáveis, através de uma série de pacotes de trabalho dirigida para a intervenção nas habitações familiares, nas empresas e nas escolas, disseminando progressivamente os resultados obtidos pelo espaço nacional e europeu.
Na escolha das comunidades para intervir em Portugal, a responsável contou que “houve a preocupação de actuar tanto no litoral, como no interior, ou seja, numa área mais urbanizada e noutra rural, já que as potencialidades são distintas e permitirá avaliar os comportamentos em relação às alterações climáticas em duas comunidades com vivência também distintas”.
E complementou: “Por outro lado, o facto do Mindelo e Macedo de Cavaleiros também estarem envolvidos em processos de implementação e desenvolvimentos de Agenda 21 Local, também foi tido em conta, como factor positivo”.

Acção das comunidades
Com este projecto pretende-se criar diversas áreas populacionais que, interajam e trabalhem conjuntamente na redução das emissões de carbono, mudando as mentalidades e forma de agir das comunidades (residentes, actores locais, etc.), sintetizou.
No caso de existirem “áreas socialmente excluídas, iremos estudar e implementar a melhor maneira de aplicar as medidas referidas anteriormente”, realçou.
Ainda de acordo com Helena Ferreira, na base deste projecto está sobretudo “a necessidade de mudança do paradigma energético e combate às alterações climáticas que só se conseguirá se o actual perfil de consumo, em todas as vertentes mudar”.
“Isto é, centrarmo-nos preferencialmente na promoção das energias renováveis como panaceia para Comunidades Baixo Carbono a resolução das problemáticas energéticas é insuficiente e reduz a questão energética apenas às formas de energia, quando em primeiro lugar ela devia centrar-se no perfil de consumo energético, e se encontra baseado na promoção do seu aumento”, assinalou.
A mesma frisou, por esse motivo, que “isto não se consegue por decreto, necessitando de uma verdadeira envolvência da comunidade e para isso há que formar a comunidade, tendo que se que criar verdadeiros mecanismos de participação activa da mesma”.

As pretensões
Os objectivos pretendidos alcançar a curto prazo nas comunidades passam essencialmente por acções de sensibilização, no sentido de “informar, entusiasmar e envolver a população das comunidades locais escolhidas a participar activamente no projecto”, a par de intenção em “reduzir das emissões totais de carbono, estipulando metas a cumprir através da aplicação de medidas de melhoria de eficiência energética”.
Paralelamente, pretende-se ainda “criar e canalizar meios que facilitem a instalação de energias renováveis e a aplicação de medidas de poupança energética, para as áreas a intervir, nomeadamente nos edifícios domésticos e de serviços”.
Mas Helena Ferreira fala ainda da outra proposta, a Energy Islands - RES-Powered Communities (EI-RESPCO), com a qual “propomo-nos trabalhar com pequenas comunidades de forma a criar condições para apenas dependerem de energias renováveis no seu consumo energético diário”.
Este projecto é coordenado pelo IRSSAT - Istituto di Ricerca, Sviluppo e Sperimentazione
sull’Ambiente ed il Territorio e conta com a participação de 12 parceiros em 9 países. Complementando o primeiro projecto, este “está direccionado para a promoção das energias renováveis e com a aplicação, em conjunto, destas duas vertentes, (a primeira já explicada anteriormente) relacionadas com a energia e as alterações climáticas para assim se formar a Comunidade Baixo Carbono”.
A população das comunidades escolhidas desde o início do projecto estaria envolvida em todo o seu processo, sendo sensibilizada para a actual problemática energética, para a racionalização do uso energético e acompanharia a criação e o desenvolvimento da chamada «ilha energética» que, futuramente iria produzir, de forma limpa, energia para autoconsumo da comunidade.
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Projecto
Um sucesso
Fomentar o mercado de energias renováveis e equipamentos energeticamente sustentáveis, aumentar a coesão social dentro das comunidades de baixo carbono, implementar um processo que, progressivamente, irá diminuir para as emissões de carbono, assim como desenvolver mercados locais, relacionados com serviços de energia constituem os objectivos de longo prazo do projecto.
Para breve está em preparação uma outra fase de candidatura deste projecto ao QREN (Quadro de Referência Quadro de Referência Estratégico Nacional) para que sejam obtidos apoios para a aplicação material, como por exemplo das energias renováveis, explicou
Helena Ferreira. Isto porque o apoio prestado pelo programa europeu Energia Inteligente para a Europa é apenas “imaterial”. Por tudo isto, a coordenadora concluiu, dizendo que “esta será uma iniciativa que dará muito que falar”.

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